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“O Daniel é gentil e sensível. Ele é um daqueles garotos que pede desculpas quando alguém esbarra nele.”
O policial me deu um sorriso compreensivo. “Vamos registrar a ocorrência, senhora.”
Mas percebi que ele pensava que eu era apenas mais uma mãe em pânico que não conhecia o próprio filho.
Eu jamais imaginei o quanto ele estava certo.
Na manhã seguinte, fui à escola do Daniel.
A diretora foi gentil. Ela me deixou ver as imagens da câmera de segurança da porta da frente.
Sentei-me em uma pequena sala e assisti ao vídeo da tarde anterior.
Grupos de adolescentes saíam do prédio, rindo, se empurrando, olhando para seus celulares.
Então vi o Daniel caminhando ao lado de uma garota.
Por um instante, não a reconheci. Então ela olhou por cima do ombro e pude ver seu rosto com mais clareza.
“Maya”, sussurrei.
Maya já havia visitado o Daniel várias vezes. Ela era uma garota quieta. Ela foi educada, mas parecia cautelosa.
No vídeo, eles atravessaram a porta e foram em direção ao ponto de ônibus.
Embarcaram juntos em um ônibus urbano e desapareceram.
“Preciso falar com a Maya.” Me virei para o diretor. “Posso?”
“A Maya não estuda mais nesta escola.” Ele apontou para o vídeo. “Ela se transferiu de repente. Aquele foi o último dia dela aqui.”
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Vi um homem sem camisa vestindo a jaqueta do meu filho desaparecido e decidi segui-lo. Há quase um ano, numa terça-feira de manhã, meu filho de 16 anos, Daniel, saiu para a escola e nunca mais voltou. Meu filho sempre foi aquele que fazia todos rirem. Ele era gentil e sensível. Nunca saía de casa sem me avisar. Mas isso não era típico do Daniel. Naquela mesma noite, liguei para a polícia. A polícia diz que adolescentes são apenas adolescentes, que eles iriam embora voluntariamente em alguns dias. Mas ele não voltou. As câmeras de segurança da escola mostram ele saindo do campus, entrando no ônibus e saindo do campus. Semanas se passaram. Distribuímos panfletos por toda parte, publicamos anúncios e fizemos tudo o que podíamos para encontrá-lo. A polícia ainda o procura. Ontem, fui a outra cidade (a cerca de três horas de casa) para uma reunião de negócios. Depois, fui a uma pequena cafeteria e estava tomando meu café quando um homem entrou bem cedo. Fiquei paralisado. Ele estava usando minha jaqueta. Não era apenas uma jaqueta parecida ou do mesmo estilo: era a jaqueta do Daniel. Certa vez, na manga da jaqueta, ele costurou um pequeno remendo em forma de guitarra porque adorava tocar. Também tem uma pequena mancha de tinta na lateral que nunca consegui tirar. A primeira vez que você tem dinheiro na mão quando se aproxima da varanda para pedir um chá. Fui até o balcão e pedi ao barista que preparasse um chá para ele e uma sobremesa. Paguei tudo. Ele me agradeceu muito com lágrimas nos olhos. Não consegui dar uma tragada, então perguntei imediatamente: "Com licença, onde você conseguiu essa jaqueta?" O homem sorriu e disse: "Um menino me deu." Tentei perguntar onde e quando isso aconteceu, mas o café estava frio e ele estava correndo. Corri atrás dele, querendo alcançá-lo, mas depois decidi segui-lo. O homem andava pelos arredores da cidade, me fazendo sentir como uma cana-de-açúcar, mas sem comer nem beber nada. Depois de uma hora, ele se aproximou de uma casa velha e abandonada. O homem bateu silenciosamente à porta. Quando a porta se abriu, eu pude respirar aliviado.
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